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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Estamos todos bem e cada um na sua!

Estamos todos bem e cada um na sua!


      
     Assisti a um filme outro dia, meio por acaso zapeando, gostei do título, li as informações, tive a certeza (e não me enganei) de que iria me emocionar. "Estão todos bem" se chama a co-produção Itália - EUA, 2009, direção de Kirk Jones e no elenco Robert De Niro. 
     Não vou contar todo o filme, só traçar rapidamente o fio da história.. Robert De Niro atua de modo brilhante como sempre, na pele de um aposentado, recém viúvo que busca reencontrar os quatro filhos espalhados por diferentes e distantes cidades norte-americanas. O filme mostra as viagens do protagonista ao encontro dos filhos, tem um ritmo lento, reflexivo, recheado de imagens poéticas, diálogos e silêncios. Tem o tom que tanto aprecio no cinema europeu, lamento não ser em italiano, para mim deixaria o filme um tanto mais dramático. 
     O filme acompanha a tal visita surpresa do pai à residência dos filhos, que não parece ser muito bem-vinda por parte das "crianças" como ele se refere à prole adulta. Percebe-se que todos querem demonstrar que estão bem para o pai, preocupado com a felicidade dos filhos, aí o título. Belas imagens em que relembra os filhos pequenos e as conversas sobre a escolha profissional e o futuro de cada um. O pai exigente quer que sejam todos artistas, estimula o talento de cada um. E eles se tornam: músico, artista plástico, bailarina, publicitária.
      O filme dá muito pano pra manga, por isto vou selecionar somente alguns, senão o texto ultrapassará os caracteres e a paciência do prezado leitor. Os discursos do pai com os filhos sobre a escolha profissional permeavam o papel social da profissão a ser escolhida e não a felicidade ao executar determinadas tarefas cotidianas. Claro, os pais sempre querem que os filhos sejam felizes (o que, aliás, o protagonista pergunta a cada filho nesta visita surpresa), o que se esquece é de perceber que a felicidade não é igual pra todo mundo e que uma profissão de maior ou menor prestígio talvez não revele maior ou menor índice de felicidade.
     Outro ponto importante é a preocupação excessiva dos filhos em demonstrar uma vida falsa para o pai, aparentam algo que não são na verdade, tudo para preservar uma imagem criada pelo pai e que desejam manter. Um jogo de inverdade para assegurar uma vida feliz ou pelo menos dentro dos moldes que o pai julga como feliz.
     A verdade é esta, no filme e na vida: nós, na posição de filhos, queremos ser felizes para dizer aos nossos pais que a vida está ótima e que eles não geraram um bando de inúteis, que podem se orgulhar de nossos feitos. Nós, na posição de pais, cobramos uma felicidade idealizada com a profissão que sonhamos e com o futuro traçado por nossos esboços e não pelos de nossos filhos que podem ter um traço muito diferente do considerado ideal e que por vias meio-tortas os podem levar a felicidade.
      Então tá, registrada minha dica de filme e minha ínfima reflexão sobre a felicidade de cada um.
                                                                               Joselma Noal

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Sobre Churros e Goiabas


            Minha paixão por churros iniciou na infância com meus irmãos e primas na barraquinha de Tramandaí, ao final da fila, lá estava a Vó Olga, a responsável pelo pagamento da conta. Naquela época não existia churros gourmet, a escolha era entre os dois recheios: doce de leite ou creme. Nunca hesitei, meu sabor era sempre o mesmo e permanece até hoje: doce de leite! Para minha sorte, porque de creme nem existe mais!
            Já da goiaba, tinha esquecido o sabor, fazia muito tempo que não comia, para ser mais exata quase quarenta anos. Outro dia, as goiabas me acenaram no buffet de um restaurante e resolvi dar uma chance a elas. Na verdade é uma fruta bonita, cor e aroma atrativos. Ao sentar, minha primeira garfada foi num pedaço bonito da fruta, mordi cheia de expectativa e me decepcionei.
            Diferente do churros que sempre me faz viajar no tempo e voltar para a fila na barraquinha de Tramandaí (parece até que o abraço da vó Olga vem junto no recheio do doce de leite), por isso não posso passar na esquina da Andradas com o Calçadão, pela barraquinha do Tio Vovô, porque, algo mais forte do que eu, me conduz à fila e, quando me dou conta, já estou com o churros na mão. Ainda bem que moro no Cassino, pois se morasse no centro, com certeza, estaria acima do peso!
            Voltando às goiabas, lembro da tarde em que passei com minha prima, na casa dela, comendo a fruta uma atrás da outra, colhendo direto da árvore, quente do sol e sem lavar. Tínhamos uns oito anos, estávamos sozinhas e passamos a tarde comendo goiabas doces. Hoje fico tentando calcular quantos bichinhos nós devoramos sem perceber. O resultado veio a seguir, passei muito mal e desde então nunca mais tinha comido goiaba. Dei chance no restaurante faz alguns dias, mas penso ter criado uma espécie de bloqueio com a fruta.
Se o churros faz parte da minha memória de infância, da doçura, que também era a da minha avó; a goiaba me faz lembrar apenas do quanto passei mal, razão pela qual esqueci até o sabor. E isso de apagamento de memória pode ser sério! Um amigo vai casar, meu marido e eu seremos padrinhos, papel que também desempenhamos no primeiro casamento dele. Outro dia, o tal noivo comentou não lembrar nada sobre a cerimônia do primeiro casamento, sofreu um apagão total. O amargo foi esquecido, então, querido amigo, desejo a você um segundo casamento doce e merecedor de permanecer em sua memória para todo o sempre.
E ficam as dicas: sempre lavem a goiaba antes de comer, acreditem casamento pode ser doce e inesquecível!
E vida longa ao churros do Tio Vovô! E não é à toa que tem este nome, porque os vovôs e as vovós sempre são pura doçura!


Joselma Noal